quarta-feira, 13 de julho de 2011

Análise Sintática - Aula 10

Boa-noite a todos!
Vamos lá?
http://www.mediafire.com/?hx3m1qqbj97avpj

Próxima aula: Semântica.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Semântica – Aula 15

Boa-noite a todos! Vamos lá?
Em frente!
Aula 15

Os adjetivos “fundo”, “intenso”, “profundo”, “superficial” e “raso” exemplificam a delimitação entre sinônimos através de antônimos;  parece-nos que tal delimitação ocorre tão somente em função dos termos determinados escolhidos, já que os adjetivos em questão (determinantes) são os mesmos, senão vejamos: o substantivo “amor” pode funcionar como núcleo dos sintagmas nominais “fundo amor” (“amor fundo” é uma construção duvidosa), “profundo amor” ou “amor profundo” e “intenso amor” ou “amor intenso”; segundo a proposta de Ullmann (1964), os três adjetivos seriam sinônimos e o seu antônimo seria o adjetivo “superficial”; todavia, falar em “amor superficial” é estranho, pois não nos parece o amor susceptível a gradações, a menos que o sentimento não seja de amor, mas de outra coisa.

Ainda segundo Ullmann, não haveria sinonímia no caso de “água profunda”, pois o antônimo seria “rasa”; o mesmo ocorrerá com o termo determinado “lago”, sendo que, nesse caso, a sinonímia só ocorre entre “fundo” e “profundo”, em oposição a “raso”, pois não se pode falar de “lago intenso”.

Parece-nos ainda que o termo determinado além de determinar se haverá ou não sinonímia, em oposição à antonímia, também interfere neste critério, dependendo do tipo de substantivo considerado, se concreto ou abstrato. Vamos comparar dois termos determinados, por exemplo, “ódio” e “buraco”, respectivamente, abstrato e concreto; podemos formar os sintagmas nominais “ódio intenso” e “ódio profundo”, mas, no caso de “ódio fundo”, temos uma construção, no mínimo, estranha, tal como acontece com “amor fundo”; entretanto, “fundo ódio” é mais aceitável; da mesma maneira, se considerarmos o sintagma “ódio superficial”, teremos mais um sintagma de aceitação duvidosa, pois o ódio, assim como o amor, ou existem e são profundos ou não existem, afinal, amor e ódio superficiais pode ser tudo menos amor e ódio. Quanto a “amor e ódio rasos”, não há o que se comentar, dado o absurdo de tais construções.

No caso de “buraco”, só pode haver sinonímia entre “fundo” e “profundo”, pois não se pode dizer “buraco intenso”; assim também podemos dizer, em oposição, “buraco raso”, mas não “superficial”.

Desse modo, o critério de delimitação de sinônimos através de seus antônimos deve ser analisado com cautela antes de ser aceito, pois há restrições quanto ao seu emprego, além de envolver outros aspectos teóricos que escapam ao âmbito da sinonímia propriamente dita.

Até a próxima...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Semântica – Aula 14

Olá, queridos! Sejam sempre muito bem-vindos aqui neste espaço!
Vamos lá?
Em frente, que ainda temos um longo caminho a percorrer...
Aula 14

O sétimo e o oitavo critérios, respectivamente, um termo é mais local ou dialetal que outro e um termo é mais coloquial que outro, tratam, na verdade, de variações diatópicas e diastráticas, o que os diferencia dos demais critérios, já que não se trata aqui propriamente do contexto, mas, sim, de locais de uso distintos e de diferentes níveis, como o nível culto e o nível popular.

O sétimo critério está exemplificado através das palavras “debochar” e “mangar”; é de se notar que a segunda costuma ser usada, no Nordeste, com o mesmo sentido de “debochar”; apesar disso, tal registro não se encontra nos corpora; encontramos, sim,  o registro de “mangar”, nos três dicionários, como de uso característico no Sul do Brasil, mas com outro sentido que não o de “caçoar”, “debochar” e, sim, de “ser lerdo”, “demorar” para fazer algo.

Em relação ao oitavo critério, temos que a palavra “topar” é de uso coloquial (e também regional, mas com outros sentidos, segundo os corpora), sendo que está registrada como gíria, no Aurélio e no Caldas Aulete, e como regionalismo e de uso informal, no Houaiss (além dos outros usos regionais); já o sinônimo “aceitar” pertence ao nível culto.

No que se refere ao nono critério, este não tem qualquer semelhança com os demais, já que trata da linguagem infantil. A palavra “papá” pode ter o sentido de “papai” e também de “comer”, em uma frase como “nenê qué papá”.

É interessante observar que o verbo “papar” aparece no Aurélio como “familiar” e no Caldas Aulete como “infantil e familiar”; já no Houaiss, não há qualquer registro como “familiar” ou “infantil”. Quanto à palavra “comer”, não há registro nos corpora como sinônima de “papá”; de fato, trata-se de uma “sinonímia” tão específica que talvez não deva ser chamada de sinonímia, afinal, é um período da vida da criança em que ela não aprendeu a falar como os adultos, ou seja, trata-se de um processo natural por que todas as crianças passam e não há, portanto, motivos para tratá-lo como um caso específico de sinonímia.

Até a próxima...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Análise Sintática - Aula 8

Boa-noite a todos!
Vamos a mais uma aula de Fundamentos da Análise Sintática?
Em frente, que ainda temos um longo caminho...

terça-feira, 5 de julho de 2011

Semântica – Aula 13

Boa-noite a todos!
Novidades a caminho...
Em breve...
Vou postar aqui um comunicado que fiz circular pela Internet já há algum tempo; refere-se ao meu segundo livro:
A autora do livro “Raciocinando em Português”, Cláudia Assad Alvares, declara que existe uma versão NÃO AUTORIZADA circulando pela Internet no Mercado Livre e em diferentes sebos virtuais. Trata-se de um livro de CAPA PRETA; essa versão, inclusive, contém erros e diversos trechos repetidos. A autora declara ainda que A ÚNICA VERSÃO AUTORIZADA do livro é a que está sendo comercializada pela EDITORA CIÊNCIA MODERNA.
E para continuar...

Aula 13

No que tange ao quinto critério, “um termo é mais profissional que outro”, as palavras “óbito” e “morte” exemplificam-no bem, já que, quando alguém morre, atesta-se o “óbito”, por meio de um documento feito por profissionais, no caso, os médicos que trataram do paciente (não existe um “atestado de morte”).

É interessante observar que a sinonímia contém a propriedade [ou traço semântico] de “exclusão”; explico-me: a simples presença do termo “óbito”, enquanto sinônimo de “morte”, exclui uma enorme gama de significados da palavra (conforme atestado pelos corpora), pois não podemos, por exemplo, considerar aqui um significado para “morte” como em “morte dos ideais”, afinal, não se atesta o “óbito dos ideais” de alguém. Assim, o termo “óbito” restringe o significado de “morte” para tão somente “morte física”, pois, somente nesta circunstância, um médico fornece um atestado de óbito.

As palavras “navio” e “nau” exemplificam o sexto critério (um termo é mais literário que outro); uma simples leitura do corpus – Aurélio e do corpus – Caldas Aulete mostra-nos que ambas são hiperônimos, já que existem vários tipos de navio e de nau.

Aurélio e Caldas Aulete usam a abreviatura “Poét.” [Poético] para o termo “nau”, conforme atestam os corpora; de fato, é comum a palavra “nau” figurar com maior frequência em contextos literários, sobretudo quando o escrito fala do descobrimento do Brasil, do que “navio”, até porque “nau” é de emprego mais restrito (fato que agrada a muitos escritores) e não tem a mesma amplitude de “navio”.

Atualmente, o emprego de “nau” é ainda mais restrito; não dizemos, por exemplo, que “as naus da PETROBRAS” estão na Bahia de Guanabara, mas, sim, que “os navios da PETROBRAS...”.

Até a próxima...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Semântica – Aula 12

Vamos lá, queridos?
Só para lembrar...
Organizei e reuni as aulas de semântica postadas até o momento em um único arquivo (também postado aqui).
Ao enumerá-las, contei 11; portanto, a próxima será...
Aula 12

Para exemplificar o quarto critério, selecionamos as palavras “leproso” e “hanseniano”; é de se notar que a lepra é uma doença que normalmente provoca horror nas pessoas, além de uma forte discriminação para com seus portadores. A própria palavra “lepra” [e, por extensão, “leproso”] é extremamente agressiva e o adjetivo pode, inclusive, ser usado como ofensa [como em “cão leproso”].

Na Roma antiga, os portadores do bacilo de Hansen eram execrados pela sociedade por serem considerados a escória, o que havia de pior; eram tratados como pessoas malditas e, como tais, obrigadas a viver em guetos dos quais todos fugiam. Essas pessoas eram enterradas vivas e passavam por sofrimentos inomináveis. Hoje, embora a doença tenha cura, a discriminação e o horror persistem, mesmo que de uma forma velada. O adjetivo “hanseniano” atende ao “discreto” tratamento dado pela sociedade aos portadores do bacilo, já que é mais “neutro”, digamos, menos “discriminatório”, menos “agressivo” e implica menos “censura”.

Temos, portanto, que esses três critérios, na verdade, constituem as várias faces do eufemismo. É de se notar que o levantamento dos traços semânticos de um vocábulo apresenta grande complexidade, pois, mesmo que as palavras nasçam “neutras”, em estado de dicionário (CITELLI, 1986), vivemos mediados por elas, que, ao se contextualizarem, passam a expressar valores e ideias; transitam ideologias para cumprir amplo espectro de funções persuasivas (CITELLI, 1986, p. 30), fato que atua como um verdadeiro complicador na atribuição de traços a uma determinada palavra.

Desse modo, o eufemismo pode ser tomado como um critério, em substituição ao segundo, ao terceiro e ao quarto, pois seu mecanismo de funcionamento consiste justamente na substituição de um termo dito “forte”, “intenso”, “emotivo” e que implique “censura moral” por um mais “leve”, menos “emotivo” e que implique “aprovação” por parte do ouvinte.

Até a próxima...